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Tradição servida à mesa

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Em cada canto do planeta, em cada país, podemos encontrar e destacar diversas bebidas tradicionais de regiões específicas, mas que por seus sabores e aromas conquistaram o globo e podem ser encontradas e apreciadas por todos. O universo árabe, com toda sua riqueza cultural, também possui o seu representante e que a cada geração se populariza um pouco mais, principalmente pelo reconhecimento e consumo das diversas colônias de imigrantes espalhadas pelo mundo.

Estamos falando do Arak, bebida milenar, oriunda do Oriente Médio e que criou e influenciou diversas histórias até aqui no Brasil. Importada por imigrantes, devido ao seu alto teor alcóolico, mais de 45%, possui um potencial bastante inebriante, que os adeptos desatavam a falar bobagens logo nos primeiros goles, então tudo o que é relacionado à mentira, lorota ou falsidade, ficou conhecido em nosso país como “de araque”. Justamente por isso, os conhecedores mais profundos alertam que jamais se deve tomá-lo puro e a sugestão é que para cada copo da bebida, pelo menos dois terços sejam de água e apenas um do concentrado incolor.arak1

Muitas pessoas preferem adicionar gelos, ao clássico estilo “on the rocks”, e ao realizar essa mistura é que a “mágica” do Arak
acontece. O líquido transparente, que o nome vem do árabe “suor”, torna-se turvo, leitoso, e justamente por isso também é conhecido como “leite de leões” ou “leite de camelos”. Essa verdadeira alquimia, que se dá ao uso da semente de anis, ou erva-doce, com sabor e odor agridoces intensos, é o fator que tem tornado o drinque famoso pelo mundo, inclusive conquistando o paladar dos brasileiros.

Há cerca de quatro mil anos atrás, os egípcios foram os primeiros a produzir o Arak. Cultivando o anis, descobriram que ao adicionar as sementes ao suco destilado de uvas, o resultado final era uma bebida alcóolica bastante forte e com sabor de alcaçuz. E assim a bebida foi se disseminando entre os povos árabes, tornando-se tradicional em países como a Síria, o Líbano, a Palestina, Israel, Jordânia e Iraque. Porém, por volta do século VII, com o surgimento do Islã e os muçulmanos proibidos de consumir álcool, essa tradição passou por um momento de ostracismo. O licor passou, então, a ser mais apreciado pelos cristãos ou pessoas ligadas a outras religiões.

Hoje, o drinque está presente em locais mais requintados, servido como bebida exótica em boates e restaurantes de alto padrão. Sua produção tradicional, que conta com refino triplo, começa com a colheita de uvas claras, que não passam por irrigação, crescendo sob o sol e o clima mediterrâneo. Os frutos são colhidos entre os meses de setembro e outubro, amassados e, juntamente com o suco, armazenados em barris de cobre pelo período de 21 dias. Após esse tempo o anis é adicionado, momento da segunda destilação. É destilado pela terceira vez em baixas temperaturas e depois é armazenado para o envelhecimento, muitas vezes em vasos de cerâmica, por mais 12 meses.

O Arak também pode ser preparado com tâmaras, ameixas, damascos e maçãs. Atualmente, por ganhar versões aromatizadas e modernizadas, tem registrado grande aumento do seu consumo. Ainda podemos ressaltar que essa bebida circundada por tantas histórias curiosas, também é reconhecida por seus poderes medicinais, seja para dores de dente ou resfriados, o ato de degustação possui fortes laços com aspectos de saúde.

 



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